Queria te encontrar, assim de repente, sem planejar nada, no meio da rua, na esquina, no shopping ou na lanchonete que costumávamos ir. Queria te contar que não estou namorando, mas estou conhecendo muita gente nova (a maioria não presta). Queria te contar que voltei pra dança de salão mas estou me desanimando, falta você aqui pra me fazer sorrir e me dar mais vontade de dançar. Queria te contar que esses dias comprei aquele suco que você comprava pra mim só para matar essa falta que sinto tua (não tomei, não abri).
Queria te contar que engordei um pouco e que agora não precisa me chamar de saco sem fundo!
Queria te dizer que esses dias coloquei teu perfume e te senti perto de mim.
Queria te falar que fui no shopping como se fosse te encontrar, me arrumei, arrumei meu cabelo, coloquei os grampos que você me deu.
Queria te encontrar na rua de casa andando de bicicleta e dizendo para eu tomar cuidado e qualquer coisa ligar para 190.
Queria te encontrar na beira do mar ouvindo a melodia que ele faz e você chegando perto de mim e falando no meu ouvido que sentiu minha falta hoje, ontem, há 4 anos.
Queria te encontrar no meio de uma caminhada e você segurar meu braço e dizer que me ama, há 16 anos.
Queria te falar o que eu sonhei na noite passada, te dar os presentes dos dias das mães que não passamos juntas.
Queria te encontrar. Te contar que te amei muito. Mas meu orgulho é maior e dizer que sinto tua falta é um desafio. Deixo, então, nessa folha de papel o meu pedido.
“Queria te encontrar, assim de repente, sem planejar nada, no meio da rua, na esquina, no shopping ou na lanchonete que costumávamos ir”
Estávamos sentados com as costas viradas para o mundo
Dizendo coisas que pensamos que nunca iriam magoar
Quem poderia imaginar que iria acabar assim?
Quando tudo o que conversamos sumiu
E a unica chance que temos de seguir em frente
É tentar voltar atrás
Antes de tudo ter dado errado
Assim não dá! Ultrapasso todos os limites, tento até o ultimo sinal das forças divinas, mas arrisco. Não que “arriscar” não seja algo bom. Ao contrário! Se eu não arriscasse não estaria aqui, ou melhor, não estariamos aqui. Só não pode deixar que essa coragem extrapole os sentidos e perca o mais precioso: medo de cometer loucuras.
Mas agora, duvidar dos sinais da natureza?! Ai é demais! Toda noite a mesma historia. Peço aos céus um sinal se devo ou não enviar a mensagem, e em questão de minutos a internet do celular falha, meu brinco cai no chão, o dia ensolarado de 30 graus fica nublado e começa a chover horrores. Meu celular cai (e eu estava segurando com as duas mãos) , a menina que passa de mãos dadas conversando com a mãe fala um NÃO bem alto (como se fosse pra mim), e não bastando isso um senhor me para na rua e fala: “Querida, deixo minha frase do dia para você: “Deus fez a cabeça em cima do coração, para que o sentimento nunca ultrapasse a razão.”
É… E depois dessa turbulência de apenas 10 minutos, eu não acho isso tudo o suficiente e aperto o botão.
E me desculpe a palavra, a merda está feita.
Ai não tem mais jeito, duvidou das forças da natureza e dos poderes de certos deuses, a consequência vem a tona e traz consigo a lagrima e o arrependimento.
Ela reza todas as noites para ter uma noticia boa, uma surpresa perfeita que faça ela ter o gosto de ter acordado cedo. Que a faça sentir o prazer de se ver no espelho e sorrir por horas sem um motivo concreto… Sem motivo.
Na oração seus pedidos vagam os pensamentos na madrugada.
E o mais forte deles, alcança os ouvidos dos deuses mais poderosos e longe dali;
“Que ele sinta a minha falta, mas que eu não sinta a dele. Que ele me procure, mas que eu não procure ele. Que ele goste de mim, mas que eu deixe de gostar dele. Que o tempo passe, mas que eu não passe do tempo”
Eu a via no ônibus, na padaria, no supermercado e na minha rua também. Eu me tornei um caçador dela em todos os lugares por onde passava e ela estava o tempo todo dentro de mim.